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09/06/2014

Alocução perfunctória sobre a morte II



Todos sabem que vão morrer. Ou deveriam saber e, se não o sabem, desculpem-me por dar essa fatídica notícia. Aos que compreendem esse fato, o que pode mudar é a forma de encarar essa verdade irrecusável. Os que têm fé em algo posterior, não veem a morte como um fim, ou seja, não veem a morte como o fim de sua existência. Por sua vez, os que não creem em algo posterior levam a vida como uma única possibilidade, e creem, ou deveriam crer que, com a sua morte, virá o fim de sua existência. Ou seja, o nada. O vazio.  Contudo, poucos são os têm consciência de que estão no mundo, de que daqui a alguns anos morrerão, ou de que o fim não leva em conta a sua vontade. Vivem como se fossem ser eternos. Até entendem que vão morrer, mas não convivem com essa realidade. Não pensam em questões que podem mudar toda a sua existência como: Deus existe? Da onde eu vim? e para onde eu vou? Eu vou?  Talvez eles não tenham coragem de pensar que o cemitério é o que lhes espera, e que, no fim desta vida material, o verme é o que acabará com eles. Pensar essas questões deveria ser ensinado a todos para entenderem o real significado de estar vivo, antes que seja tarde demais.

14/11/2012

A moça e o francês



Todos que a viam, logo percebiam, ela brilhava como uma luz fria. Embora friorenta, havia nela um dilúvio exuberante de vida. Um matiz azulado, os poros dela expeliam. Seu olhar era atento e estrelar, severamente lindo. Sua fragrância era bucólica. Ela vestia o luto, talvez em culto a um insólito francês. Por isso, carregava consigo um ar ambíguo e claudicante. Toda vez que podia, sorria. Toda vez que podia, entristecia. No fundo, parecia tocar um scherzo que, às vezes, variava para um tango argentino. Sem recorrer à metafísica, dificilmente sua existência seria explicável. Durante o tempo em que todos a observavam, ela provavelmente pensava no francês que jamais a notaria. Há muito tempo, por ele, ela havia se apaixonado. Foi amor à primeira vista. Quando o viu, sentiu que era para sempre. Ela não acreditava nisso, antes de fitá-lo. Mas sucumbiu ao inverossímil. Depois de conhecê-lo, ela não conseguia enxergar mais ninguém. Bombas estouravam ao seu lado. Sorrisos faceiros mandavam flores e faziam serenatas. Muitos presentes, os príncipes lhe enviavam. Epístolas apaixonadas poetas encaminhavam. Mas ela estava vidrada. Gostava mesmo é do francês. Ele havia lhe conquistado. Ela dizia que o francês tinha uma nova onda, que ele havia quebrados suas regras, e isso a atrelava a ele. A vida dela, o francês mudou. Dali para frente, ela não conseguiria ver as coisas com os mesmos olhos. Não conseguiria entender as regras impostas. Não conseguiria aceitar reprimendas. Por meio do francês, ela havia conhecido a liberdade. Agora, ela era eternamente livre, e o francês não saberia.     

15/12/2011

Minha linda flor

Vou estar entre a saudade e a vontade de voltar
Sem mais...
Sem mais...
E toda a dor é falta de coragem

Há tanta tristeza desconsolada
Tanta gente mal amada
Há em mim um pouco de indiferença
E, ainda, há falsidade, amor e maldade

Oh! minha linda flor, não se esqueça de tudo que eu disse
Você pode andar sobre as pedras
e enfrentar estes nefastos demônios, você pode tudo, você pode tudo
Oh! minha linda dor, se esqueça de tudo que eu disse, estava maluco, estava maluco

E se eu pudesse trazer tudo que amo para perto?
Talvez tudo seria sincero
Talvez nada seria incorreto
E se eu pudesse tanta coisa, e se eu pudesse adianta em alguma coisa?

Reconheço meus erros imperdoáveis
Conheço pragas modernas que assolam todas as cidades
Evidencio o império das dores intoleráveis
Vejo uma linda flor nascer no bueiro, no meio da guerra de publicidade

Oh! minha linda flor, não se esqueça de tudo que eu disse
Você pode andar sobre as pedras
e enfrentar estes nefastos demônios, você pode tudo, você pode tudo
Oh! minha linda dor, se esqueça de tudo que eu disse, estava maluco, estava maluco