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17/09/2014

Diálogo consigo mesmo sobre o amor IV

Todos os versos 
Inverteram-se 
E o amor não resistiu à mera ventania 
Ele foi esquecido no armário da cozinha
no porão se perdeu
Foi diluído no cotidiano das ausências 
Por isso, digo, com a voz rouca
de quem grita sem expressão,
Amor, não prometo a perfeição
apenas o perfectível



21/08/2014

Diálogo consigo mesmo sobre o amor III

A sua pele
ao tocar a minha
traz uma sintonia 
que a agonia sisifica do dia
me retirou
helena,
tocá-la
me faz lembrar da vida

19/08/2014

Diálogo consigo mesmo sobre o amor II

Não se preocupe. 
Esse vento forte
É um bom sinal
No pico,
o vento é devastador
E seria um erro
crer que ao se elevar
não haveria inveja
daqueles que não sabem voar

18/08/2014

Diálogo consigo mesmo sobre o amor I

Segure firmemente 
a minha mão
E pressinta

Só há uma verdade absoluta:
o amor resiste...
A toda dor de desamor
Venha cá, preciosa,
Dê-me um afago longo
logo tudo isso acabará
Não haverá mais hiato
e nossa vida será una




09/06/2014

Confidência do Maringaense


Alguns anos vivo em Maringá
Principalmente nasci em Maringá
Por isso, sou acomodado, retrógrado de carteirinha
Elitista proprietário, consumista desenfreado
Se tiver alma, por certo, individualista
Mas, sem dúvida, um simpático ruralista 

No entanto, a vontade de mudar o senso comum, vem de Maringá,
De suas ruas seletistas, de suas poderosas famílias,
De suas noites festivas e das silenciosas e sofridas

Esse não se contentar, que me nutre,
Tem origem contraditória em Maringá

Em Maringá, há diversas coisas que você pode comprar:
Um ingresso para o show dos vampiros
Superficialidade de fardo na loja do cínico
O falso suspiro de amor
de quem só pensa no próprio umbigo

Aqui tive dores, tive amores, tive tristeza
Hoje não tenho certeza do que sinto
Maringá permanece indiferente às suas vielas
Mas pressinto cenas belas

Alocução perfunctória sobre a morte I

A impotência está na raiz de todos os medos. Ao tê-la, ficamos numa permanente e desesperada alucinação. É o mal da autoconsciência. Pensamos formas e formas de mudar a realidade. Chega-se a não dormir pensando nisso. No fim, acabamos por aceitá-la. Ou se faz isso, ou não se vive mais. Os mais geniais (?) conseguem esquecer a impotência e vivem como se a nunca tivessem conhecido. Por isso, a morte é por demais temida. A morte é a impotência máxima. Pode ser que a morte não seja temida apenas por isso, mas o é sobretudo por isso.

Alocução perfunctória sobre a morte II



Todos sabem que vão morrer. Ou deveriam saber e, se não o sabem, desculpem-me por dar essa fatídica notícia. Aos que compreendem esse fato, o que pode mudar é a forma de encarar essa verdade irrecusável. Os que têm fé em algo posterior, não veem a morte como um fim, ou seja, não veem a morte como o fim de sua existência. Por sua vez, os que não creem em algo posterior levam a vida como uma única possibilidade, e creem, ou deveriam crer que, com a sua morte, virá o fim de sua existência. Ou seja, o nada. O vazio.  Contudo, poucos são os têm consciência de que estão no mundo, de que daqui a alguns anos morrerão, ou de que o fim não leva em conta a sua vontade. Vivem como se fossem ser eternos. Até entendem que vão morrer, mas não convivem com essa realidade. Não pensam em questões que podem mudar toda a sua existência como: Deus existe? Da onde eu vim? e para onde eu vou? Eu vou?  Talvez eles não tenham coragem de pensar que o cemitério é o que lhes espera, e que, no fim desta vida material, o verme é o que acabará com eles. Pensar essas questões deveria ser ensinado a todos para entenderem o real significado de estar vivo, antes que seja tarde demais.